OJC lança amanhã filme que denuncia incoerências de PL que quer mutilar a maior unidade de conservação do sul do Brasil

Lançamento ocorre amanhã (27) às 10h na Expo Unimed. Curta revela irregularidades e interesses da proposta de mutilação de 70% da APA da Escarpa Devoniana

quinta-feira, 26 de outubro 2017

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O curta metragem “Os Últimos Campos Gerais”, que revela a série de irregularidades, incoerências e suspeitas sobre interesses questionáveis que permeiam o Projeto de Lei 527/2016 – que prevê a mutilação de 70% da Área de Proteção Ambiental (APA) da Escarpa Devoniana, a maior unidade de conservação do Sul do Brasil – será lançado amanhã às 10h, na Universidade Positivo (UP) no pavilhão da Expo Unimed.

O evento é dedicado a parceiros que contribuíram diretamente com a produção do filme e apoiadores diretos da causa. O curta foi viabilizado pelo Observatório de Justiça e Conservação (OJC) com o apoio de instituições parceiras, como Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS), Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), Grupo Universitário de Pesquisas Espeleológicas (GUPE), entre outras. A produção foi da produtora Asteroide, uma das mais premiadas do país por reconhecimentos nacionais e estrangeiros.

Nesta sexta-feira mesmo, o curta já estará disponível à sociedade nas redes do OJC, como Facebook, Twitter, Instagram e no canal do YouTube.

Música e mesa-redonda

A exibição será seguida da apresentação do clipe da música “Pare, Preste Atenção!”, gravada voluntariamente por artistas que se sensibilizaram com o problema. A trilha sonoriza parte do filme. “Fomos movidos pela intenção de ajudar. Queremos chamar a atenção para essa causa que deve ser de todos nós. Os ecossistemas estão gravemente ameaçados pela proposta de redução da APA da Escarpa Devoniana. Precisamos salvar o que restou, pois nosso futuro está em jogo”, destacou Raissa Fayet, cantora e compositora responsável por reunir os artistas para a composição da obra.

Depois, a partir das 11h, ocorre uma mesa-redonda com o tema “Soluções sustentáveis para a APA da Escarpa Devoniana e Campos Gerais”. Participarão conservacionistas, representantes de universidades, instituições do terceiro setor, do Turismo, da área política, além de membros do Ministério Público Estadual. O ator Luis Melo e o cineasta André D’Elia também vão compor a mesa da discussão.

 

Sobre o filme

O curta tem quinze minutos de duração, conta com a narração de Luis Melo e resume a polêmica da proposta de redução, que tramita na Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP-PR) desde o segundo semestre de 2016, além de explicar as histórias e características da APA e da Escarpa. A primeira passa por 12 municípios paranaenses e foi criada em 1992 por um decreto estadual para proteger remanescentes importantes de Campos Naturais e Floresta com Araucária, dois ecossistemas associados à Mata Atlântica e em extinção. A segunda é uma formação rochosa formada há mais de 400 milhões de anos, no período Devoniano, que existe no local e deu nome à área de proteção, localizada na região dos Campos Gerais; daí o nome do filme.

No Paraná, 99% áreas de Campos Naturais e Floresta com Araucária em bom estado de conservação em relação às porções originais já foram degradadas. Décadas de exploração desordenada, irregular e a falta de fiscalização do poder público permitiram a criação do cenário.

“O filme lança luz ao problema, lembrando que a APA da Escarpa Devoniana é uma unidade de conservação de uso sustentável, que existe para estimular o convívio harmônico entre conservação da biodiversidade e a realização de atividades produtivas. Mas desde 2004, quando o Plano de Manejo da área foi criado, nunca foi respeitado”, explica Giem Guimarães, diretor do Observatório de Justiça e Conservação. “O plantio abusivo de espécies exóticas que contaminam o solo, como pinus e eucalipto, cultivo de soja e práticas excessivas de mineração em áreas que deveriam ser dedicadas à conservação são alguns dos problemas mais aparentes e graves da região”, comenta.

 

Mais de seis mil e-mails pedem o arquivamento do PL

Desde que o trailer do filme foi lançado no Facebook do OJC, dia 20 de outubro, já alcançou mais de 250 mil pessoas, teve 66 mil visualizações e quase 1.800 compartilhamentos. E só ele vem estimulando uma mobilização popular mais que expressiva: até agora, mais de 6.500 e-mails foram enviados pela sociedade por meio do site Os Últimos Campos Gerais aos deputados da ALEP pedindo o arquivamento do projeto de lei.

 

E-mails para alguns deputados estão voltando

Um aspecto que chama a atenção, no entanto, é o fato de que e-mails enviados do site a alguns deputados, entre eles, Ademar Traiano (traiano@alep.gov.br), o presidente da ALEP, estejam voltando ao remetente.  O mesmo acontece com os endereços do deputado Stephanes Junior (escritorio@stephanesjunior.com.br) e Professor Lemos (lemos@professorlemos.com.br). Os e-mails dos outros deputados estão funcionando normalmente.

Os gabinetes de Stephanes Junior e Professor Lemos afirmam que o e-mail “está funcionando como de costume”, enquanto a assessoria de Ademar Traiano informou que  “o e-mail público do deputado está fora do ar por tempo indeterminado”. A situação é, no mínimo, estranha.

A polêmica

Como já explicaram o Ministério Público do Paraná (MPE) e a OAB-PR, o PL 527/2016 é inconstitucional primeiro por ignorar os requisitos técnicos e procedimentos participativos inerentes à alteração de limites de Unidades de Conservação; segundo por representar um retrocesso na proteção ambiental de unidades já formalmente criadas; e terceiro por negar os compromissos nacionais e internacionais assumidos pelo Brasil com a preservação dos recursos naturais e da biodiversidade, colocando em risco importantes ecossistemas associados ao bioma Mata Atlântica.

Nas bordas da APA, ficam também unidades de conservação importantes, como o Parque Estadual de Vila Velha, cujo platô de arenitos, bem como as rochas que sustentam a Escarpa Devoniana, foram formados há 400 milhões de anos. A redução da APA, portanto, comprometeria não só unidades que estão em seu interior, como o Parque Nacional dos Campos Gerais, criado pelo governo federal em março de 2006, mas outras áreas próximas que precisam ser protegidas para garantir condições mínimas para a existência dos chamados “corredores ecológicos”.

O local também tem um imenso valor histórico e cultural, que não vem sendo considerado pelo projeto de lei. Além de concentrar importantes e ainda desconhecidas cavernas, sítios arqueológicos e paleontológicos, pinturas rupestres e abrigar incontáveis formas de vida, a APA foi rota de tropeiros que passaram pela região no século 18. Graças a eles, as vilas, e mais tarde cidades dos Campos Gerais, foram surgindo. O trajeto foi escolhido pelo grupo, por ser repleto de Campos, que forneciam uma visão mais ampla se um animal se perdesse ou se houvesse ameaça, garantindo uma visão mais privilegiada em relação a um percurso dentro da mata fechada.

Reveja o trailer do filme clicando aqui.

 

Confira a programação do lançamento:

Data: 27/10

Local: Expo Unimed (Universidade Positivo – Eco Ville). Acesso pelo estacionamento E10.

09h15 – Coffe

10h – Exibição do filme “Os Últimos Campos Gerais” e, na sequência, da música “Pare, Preste Atenção!”

10h30 – Início da mesa-redonda com o tema “Alternativas econômicas sustentáveis para a APA da Escarpa Devoniana e Campos Gerais”.

 

Participantes da mesa-redonda:

Alberto Vellozo Machado – Possui graduação em Direito pela Faculdade de Direito de Curitiba e mestrado em Direito das Relações Sociais pela Universidade Federal do Paraná. Atualmente, é procurador de justiça do Ministério Público do Estado do Paraná e coordenador do Centro de Apoio às Promotorias de Justiça de Proteção ao Meio Ambiente e de Habitação e Urbanismo. Tem experiência na área de Direito, com ênfase em Direito Civil – Família e Sucessões, Direito Constitucional, Estatuto da Criança e do Adolescente e Direitos Humanos.

Alexandre Gaio – Graduado em Direito pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). Especialista em Direito Público pela Universidade Federal do Paraná – UFPR e Mestre em Direito Econômico e Socioambiental pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná – PUC/PR. Promotor de Justiça no Ministério Público do Estado do Paraná desde o ano de 2003, atualmente em exercício no Centro de Apoio Operacional às Promotorias de Proteção ao Meio Ambiente, Habitação e Urbanismo (CAOPMAHU).

Arturo Rottmann –Formado em Administração de Empresas pela Universidade de Lima, MBA pelo Instituto Tecnológico y de Estudios Superiores de Monterrey (ITESM), trabalhou 17 anos no grupo Starwood, empresa recentemente adquirida pela Marriott, no setor financeiro e de operações da marca Sheraton. Diretor de Operações durante 11 anos em prestigiada rede nacional com sede em Curitiba, atualmente é Gerente Regional de Operações da rede de hotéis Slaviero. Peruano de nascimento, brasileiro de coração.

Clóvis Borges – formado em Medicina Veterinária e mestre em Zoologia é diretor-executivo da SPVS (Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental). Fellow da Ashoka, também afiliado à Fundação Avina, membro do Conselho Consultivo do FUNBIO (Fundo Brasileiro para a Biodiversidade) e vice-presidente do Conselho Deliberativo do Instituto LIFE, instituição que gere a Certificação LIFE.

Giem Guimarães – empresário, acionista e membro do conselho de administração do Grupo Positivo. Mestre em International Business Law pela Universidade de Viena e em Administração e empreendedorismo pela Universidade Positivo. Há mais de 15 anos, é conselheiro da SPVS (Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental). É também conselheiro e um dos fundadores do Instituto LIFE e do Instituto Positivo. É diretor executivo do Observatório de Justiça e Conservação.

Gilson Burigo Guimarães – geólogo, mestre e doutor em Ciências (Petrologia), é professor associado do Departamento de Geociências da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). Vinculado a grupos de pesquisa do CNPq dedicados ao estudo do patrimônio natural e membro do Grupo Universitário de Pesquisas Espeleológicas (GUPE), trabalha na valorização e divulgação da geodiversidade e do patrimônio geológico e suas inserções nas estratégias de conservação da natureza e de promoção do patrimônio cultural.

Luis Melo – Formado em 1969, na Fundação Teatro Guairá, de Curitiba, Luís Melo construiu uma sólida e premiada carreira. No cinema e na televisão também conquistou importantes prêmios, mas nunca cortou os laços com Curitiba. Com visão empreendedora, olhar sensível, organizado e repleto de repertório pessoal criou em São Luis do Purunã o Campo das Artes, um conceito de oficina com residências artísticas com a intenção de unir pessoas e promover o conhecimento e estimular a arte.

Marcelo Romaniewicz – Consultor e especialista em branding, estratégia e inovação, foi vice-presidente do planejamento da Master Comunicação por 18 anos e um dos responsáveis pelo lançamento da marca TIM no Brasil. Eleito publicitário do ano em 2012, tem nove prêmios no top de marketing ADVB e quatro cases no Marketing Best Brasil. Conduziu a elaboração voluntária da marca Pró-Escarpa para ser utilizada por todos os apoiadores da causa e também é membro do Conselho do Instituto Purunã.

Paulo Roberto Castella – Coordenou o projeto Conservação da Floresta com Araucária apoiado pelo CNPq e Ministério do Meio Ambiente (MMA) em 1998 a fim de mapear os remanescentes da floresta com araucária no Paraná. Foi secretário executivo do Conselho Estadual do Meio Ambiente, coordenador de Educação Ambiental e Jardins Botânicos de 2011 a 2015 e participou da equipe técnica do MMA na proposição de áreas protegidas em Santa Catarina e Paraná nos anos de 2003 a 2006.

Péricles de Melo – Nascido em Ponta Grossa, Péricles é professor universitário, formado em Engenharia Civil pela Universidade Federal do Paraná. Concluiu especialização em Economia Política na Alemanha e é mestre em Urbanismo pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul.  Em janeiro de 1995, assumiu uma cadeira na Assembleia Legislativa do Paraná, sendo reeleito em 1998. Lá, ocupa a presidência da Comissão de Educação, Cultura, Esportes, Ciência e Tecnologia, desde 2007. É contrário à aprovação do projeto de lei 527/2016 que prevê a redução da APA da Escarpa Devoniana.

Raissa Fayet – Talentosa compositora curitibana que desponta como uma das grandes revelações da nova MPB. Versatilidade é sua marca: faz trompete de boca, beatbox e toca violão, além de compor maior parte das músicas que interpreta. Foi a organizadora do movimento que reuniu artistas que compuseram a música em favor da APA da Escarpa Devoniana.

Rasca Rodrigues – Deputado estadual pelo Partido Verde (PV) do Paraná, engenheiro agrônomo de profissão e servidor público estadual de carreira. Na Assembleia Legislativa é presidente da Comissão de Ecologia, Meio Ambiente e Proteção dos Animais. Rasca Rodrigues já foi Secretário Estadual de Meio Ambiente (2005-2010), presidente do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) (2003-2005) e presidente do Sindicato dos Engenheiros do Paraná (2002-2003). É contrário à aprovação do projeto de lei 527/2016 que prevê a redução da APA da Escarpa Devoniana.

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