Observatório de Justiça e Conservação leva oficina de fotografia e mídias sociais para moradores da Ilha do Mel

Encontros ocorreram dias 13 e 20 de julho, durante a Festa da Tainha, e levaram aulas de fotografia, edição de imagens, redes sociais e ensinamentos sobre biodiversidade e ameaças que empreendimentos portuários impõe às regiões que ocupam

quarta-feira, 24 de julho 2019

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Carolina Corção, do projeto Revelando Olhares, durante a oficina de fotografia com câmeras digitais. Foto de Eduardo Matysiak

Dias 13 e 20 de julho, durante a programação da Festa da Tainha, na Ilha do Mel, no litoral do Paraná, o Observatório de Justiça e Conservação (OJC) promoveu a oficina de fotografia e mídias sociais “Apurando e Revelando Olhares”. A Festa da Tainha é uma tradição da comunidade e promovida anualmente pela Associação dos Nativos da Ilha do Mel, a Animpo.

A programação da oficina levou a jovens e moradores da Ilha informações sobre técnicas fotográficas com câmeras digitais, profissionais e celulares, edição de imagens, ensinamentos sobre formas de usar com mais eficácia, qualidade e alcance as redes sociais e aulas de educação ambiental e valorização da biodiversidade marinha da Ilha do Mel e do litoral do Paraná. Também foram abordados nas conversas os impactos altamente prejudiciais que empreendimentos portuários impõe aos locais onde se instalam, especialmente, à natureza e à saúde das pessoas.

Momento de apreciar o lugar que é comum aos jovens, mas sem enxergar. Oportunidade de apurar os outros sentidos. Foto de Bruno Santos

Conduziram as conversas os fotógrafos Eduardo Matysiak e Bruno Santos, a idealizadora do projeto de fotografia social “Revelando Olhares”, Carolina Corção e a especialista em redes sociais, Mikie Okumura. Já as aulas sobre biodiversidade foram oferecidas pelo engenheiro e coordenador de Logísticas e Operações Náuticas da Associação Mar Brasil, Robin Loose e pelas pesquisadoras da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Letícia Sene e Isadora Petrucci.

No total, 14 pessoas, entre jovens e adultos, participaram das atividades oferecidas nos dois dias. Guinevere Gonçalves França, de 14 anos, participou dos dois dias e percebeu a iniciativa como muito valiosa. “Aprendi várias coisas legais que não sabia. Muitas técnicas de fotografia com câmeras e celulares. Também fiquei ciente sobre o que pode acontecer com o lugar onde eu moro [se mais um porto se instalar no litoral do Paraná] e estou ciente do que preciso fazer para proteger esse local”, disse ela.

Atividades com a câmera escura, uma ferramenta antiga que explica a lógica do funcionamento de uma máquina analógica foram feitas. Ensinamentos sobre técnicas e um pouco de história da fotografia também foram compartilhados com o grupo. Foto de Eduardo Matysiak

Samuel Henrique Marques, de 16 anos, também esteve presente nos dois dias e gostou da experiência. “A oficina foi ótima! Muito bem elaborada e superou minhas expectativas. Gostei que ela trouxe conhecimentos para as pessoas de uma comunidade que ainda é vista ainda por muitos com preconceito. Com os aprendizados, vamos conseguir agora divulgar a nossa Ilha mostrando como nós, moradores, a enxergamos. Os ensinamentos sobre as técnicas fotográficas e mídias sociais também podem render oportunidades de renda aos que participaram das aulas”, comentou.

Foto de Bruno Santos

 

“Observadores mirins”

Uma das expectativas que o Observatório de Justiça e Conservação teve com a promoção da oficina, foi estimular os participantes a se criarem uma conta em uma rede social que escolhessem para divulgar, por meio do canal, informações que desejassem compartilhar sobre a Ilha do Mel, na visão de pessoas que vivem o local.

E foi, justamente, o que eles fizeram ao fim dos encontros. Os participantes já criaram no Instagram uma conta chamada @jovenscaicaras. Por meio dela, e em grupo, vão apresentar informações sobre o local onde vivem. Pretendem falar sobre eventos, cultura, turismo e até fazer denúncias sobre irregularidades e problemas que precisam ser tornados públicos e receber mais atenção da sociedade e do poder público. Como “observadores mirins”, eles querem fazer a diferença.

 

Foto de Bruno Santos

#SalveAIlhaDoMel

O OJC é uma das entidades que apoiam a campanha #SalveAIlhaDoMel, que questiona o modelo opressor, antidemocrático e abusivo com que vem correndo a intenção de construir um porto privado em Pontal do Paraná, a menos de três quilômetros da Ilha do Mel, no litoral do Estado.

 

Apesar de ser um porto privado, a infraestrutura para viabilizá-lo e atendê-lo seria custeada com dinheiro público. Mais de R$ 369 milhões é o que custaria somente a primeira etapa das obras. Milhões que poderiam ser investidos em saúde, segurança, educação e estímulo ao desenvolvimento do turismo na Ilha do Mel e em Pontal.

Esses locais, como o litoral do Paraná como um todo, vêm sofrendo com a carência de investimentos em serviços públicos para que, quando uma solução, mesmo que abusiva como a proposta do novo porto, é apresentada, ela possa convencer a sociedade de que é a solução para todos os problemas.

O desenvolvimento, a geração de renda e as oportunidades de emprego no litoral do Paraná precisam passar pelo estímulo ao turismo. A região tem características naturais únicas no mundo, que, se bem aproveitadas e valorizadas, renderiam vantagens expressivas e diretas à maior parte da população. Já a construção do novo porto – o Paraná já conta com outros dois: um em Antonina e outro em Paranaguá – traria infinitas mazelas sociais ao litoral, prejuízos diretos à Ilha do Mel e a Pontal do Paraná e vantagens e lucros financeiros apenas a alguns poucos interessados em lucrar às custas da população.

Milhares de e-mails já foram enviados ao poder público por meio do site www.salveailhdomel.com.br. Eles questionam a construção do complexo industrial portuário e exigem investimentos expressivos em turismo na região.

A venda de camisetas e ecobags da campanha #SalveAIlhaDoMel também foi outra alternativa pensada pelo OJC para angariar recursos para que mais ações em defesa do local e do litoral pudessem ser feitas. A recente ação em parceria com o Barco Sorriso – que levou atendimento médico e odontológico a indígenas e comunidades tradicionais do litoral em março deste ano – bem como a oficina de fotografia e mídias sociais “Apurando e Revelando Olhares”, foram viabilizadas com recursos dessa arrecadação.

Os produtos podem ser adquiridos entrando em contato com o OJC pelo telefone 41. 3528-4847 ou pelo e-mail justicaeconservacao@gmail.com. As vendas não têm fins lucrativos e toda a arrecadação é destinada a ações em benefício da Ilha do Mel e do litoral do Paraná.

 

As camisetas e ecobags são feitas com algodão orgânico e estão disponíveis em diversos tamanhos, em duas estampas e nas cores cru e preto. Divulgação OJC
Produtos #SalveAIlhaDoMel. Divulgação OJC

 

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