A Morte da Verdade

segunda-feira, 01 de julho 2019

Lembra que, em 2018, uma pesquisa mostrou que três a cada dez brasileiros não sabem ler ou fazer contas de matemática simples?

São os chamados “analfabetos funcionais”. Os dados do IBGE e mostraram que, no Brasil, são quase 12 milhões de pessoas que vivem nessa condição. O cenário representa também terreno fértil para a dificuldade que boa parcela da nossa sociedade tem para interpretar uma notícia ou diferenciar fatos verídicos de Fake News.

Nossa dica de hoje – o livro “A Morte da Verdade” – tem total relação com o assunto. Ele mostra como regimes totalitários, como o Nazismo, por exemplo, e a manipulação das informações no governo Trump compartilham a ridicularização da verdade. Teorias da conspiração, dogmas e ideologias que já haviam sido desacreditadas e superadas por provas científicas voltam a ter espaço nas decisões e ações públicas e políticas. No Brasil, não vem sendo diferente.

O livro foi escrito por Michiko Kakutani, crítica literária do jornal The New York Times e vencedora do Prêmio Pulitzer.
Na obra, Michiko mostra como, como humanidade, estamos tendendo a nos ater a crenças que apenas validam e justificam nossos preconceitos individuais. Ela prova, por meio de fatos, que estamos vivendo a era da substituição da razão pela emoção.

A dica vem da jornalista do OJC, Claudia Guadagnin. “O livro é um retrato das estratégias violentas que já foram e são aplicadas em outras épocas da história ou em outros países do mundo e que vêm ganhando cada vez mais força e espaço no Brasil. O medo do desconhecido, a dificuldade que muitas pessoas ainda têm para lidar com a diferença e a frustração com a política são alguns dos elementos que integram essa fórmula desastrosa, que vem nos isolando em bolhas individuais. Essa condição, se não tratada com urgência, pode nos fazer, como sociedade, perder a noção de humanidade compartilhada e nos afastar de quem julgamos como “diferente” de modo absolutamente perigoso. O Nazismo conseguiu. Até quando vamos permitir que essa ameaça se desenvolva desproporcionalmente em terreno fértil no Brasil também?”, questiona.
#fakenews #amortedaverdade